segunda-feira, 25 de julho de 2011

A mudança deve partir de nós...


Vem aí a Semana Nacional pela Cidadania e Solidariedade


Será de 7 a 13 de agosto. Participe!




Em poucos dias, o Brasil vai comemorar, pela nona vez consecutiva, a Semana Nacional pela Cidadania e Solidariedade. Será de 7 a 13 de agosto próximos. A semana pretende dar foco e sustentabilidade às práticas sócio ambientas espontâneas e dispersas que mobilizam a sociedade a trabalhar pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e produzem avanços.


Também conhecidos como Metas do Milênio, os ODM devem ser alcançados até 2015 nos cerca de 190 países que o pactuaram em 2000, por meio de ações concretas dos governos e da sociedade.


Segundo o Secretário Nacional do Movimento Nós Podemos, Rodrigo da Rocha Loures, é importante que os núcleos do movimento Nós Podemos estaduais e municipais promovam atividades alusivas que possam levar à reflexão e a algum avanço pelos ODM em suas regiões.


No Paraná, por exemplo, estado que abriga o maior número de núcleos municipais, serão promovidas iniciativas como seminários, concursos culturais e campanhas de conscientização para mobilizar a população conhecer, compreender e fomentar ações que contribuam para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Estados como Pernambuco, Santa Catarina, Rondônia, Espírito Santo, Paraíba e São Paulo, além do Distrito Federal, também já têm diversos núcleos regionais/municipais e vêm fazendo bom trabalho pela disseminação dos Objetivos do Milênio pelo interior dos estados - municipalização.


Betinho e a luta contra a pobreza

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidos em 2000, foram relacionados, no Brasil, com o Movimento Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida, criado em 1992 pelo sociólogo Betinho. Foi então que o problema da fome e da miséria tornou-se mais visível para todos os brasileiros.


Em 9 de agosto de 2004, para lembrar a vida de lutas de Betinho e sua morte, foi criada a Semana Nacional pela Cidadania e Solidariedade. Foi também neste ato, em São Paulo, que nasceu o Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade.


Desde então, em agosto se comemora a Semana Nacional pela Cidadania e Solidariedade, com inúmeras atividades realizadas por organizações e pessoas inspiradas no incansável brasileiro humanista e também nos propósitos expressos pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

domingo, 3 de julho de 2011

Empresas ainda patinam na retenção da geração Y

BRUNA BORGES

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A geração Y começa a invadir as empresas. Mas as corporações ainda patinam quando a tarefa é reter esses profissionais de até 33 anos.
É o que afirmam especialistas da área de recursos humanos e gestores de dez grandes empresas no Brasil consultados pela Folha.


"A geração Y é mais imediatista do que as demais, e as empresas ainda estão aprendendo a segurar os melhores", diz Rodrigo Vianna, diretor da consultoria Hays.
Diferentemente das gerações anteriores, salários altos não bastam para reter jovens como Sandra Mancini, 25, que trocou de emprego em
janeiro deste ano.
Rodrigo Capote/Folhapress
Sandra Mancini, analista da Natura, mudou de emprego em busca de mais desafios
Sandra Mancini, analista da Natura, mudou de emprego em busca de mais desafios
A analista de informação deixou o trabalho de três anos em uma das maiores consultorias de gestão no mundo e migrou para a Natura, de higiene pessoal.

"A consultoria é excelente, oferecia salários e bônus bastante agressivos e eu estava envolvida com projetos por lá. Mas optei por buscar novos desafios e ambiente estimulante de trabalho", conta.

Mais do que remuneração diferenciada, jovens como ela precisam de desafios para sentirem-se parte da corporação, avaliam consultores.
"Ainda existe uma estrutura muito hierarquizada na progressão da carreira dentro das corporações, e o jovem profissional percebe que pode demorar muito para evoluir para cargos mais altos", explica Thaís Blanco, consultora da Aon Hewitt.

Desafios e 'feedback' viram diferenciais

Mesmo em um mercado dinâmico como o de tecnologia da informação, em que a rotatividade é elevada, e com diversas propostas de emprego, o analista Claudio Thalisson, 24, vai completar três anos na Coelce, distribuidora de energia no Ceará.

"Existem opções fora, mas aqui posso desenvolver projetos importantes", diz ele, que preparou um sistema on-line para a organização de relatórios internos -área considerada, até então, um problema para a organização.

O programa criado por Thalisson é parte de uma iniciativa da Coelce para reter jovens. Chamada Bolsa InovAções, ela é semelhante a uma Bolsa de Valores.

Os funcionários avaliam as propostas e dão pontos para o seu desenvolvimento. As ideias com ações mais altas são premiadas com celulares, computadores e viagens.

O desafio para os profissionais também pode vir na forma de promoção, como o que ocorreu com Gustavo Mariotto, 23. Estudante de sistemas de informação, aplicou conhecimentos como supervisor de marketing digital na Viajanet e, em um ano, foi promovido a gerente.
"Já recusei propostas porque aqui tenho um projeto ambicioso para tocar."

Feedback

É por essa gana de crescer profissionalmente que benefícios como "mentoring", em que profissionais mais experientes dão "feedback" aos novatos, são muitas vezes melhor avaliados do que financiamento de carros e computadores e parcerias para pacotes de viagem.

O laboratório Sabin, que tem 56% dos funcionários da geração Y, oferece todas essas opções e, segundo Juliana Ribeiro, gerente de gestão de pessoas, um dos melhores mecanismos de retenção é o "feedback" intensivo.

"A geração Y quer também um bom líder como modelo", diz Thaís Blanco, da Aon Hewitt. Segundo ela, empresas e funcionários têm aprendido juntos como tornar uma estrutura rígida em algo mais atrativo para os jovens.

Até gigantes como a Petrobras, que tem 11.043 pessoas com até 30 anos em seu quadro de funcionários, buscam formas de reter profissionais da geração Y. A empresa contratou consultoria para avaliar a satisfação profissional desse público e deverá utilizar os resultados na elaboração de políticas de recursos humanos.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Os seis meses de Dilma

No balanço de cem dias do governo Dilma, prevaleceu um julgamento mais positivo do que negativo - incluindo manifestações de surpresa daqueles que duvidavam da capacidade da candidata do PT na eleição presidencial de 2010.
Aos seis meses, apesar dos percalços, o saldo é favorável à primeira mulher presidente do Brasil.
O pior momento de sua administração aconteceu por razões sobre as quais a presidente tinha pouca responsabilidade. Foi um erro nomear Antonio Palocci Filho para a Casa Civil e concentrar tanto poder na pasta? Hoje parece fácil responder afirmativamente.
Palocci, porém, cumpriu um papel fundamental na campanha e na formação do governo. Estabeleceu os laços necessários com o grande capital que sempre namorou José Serra, o candidato do PSDB em 2010. O sorridente Palocci se desgastou ao represar a sede peemedebista por espaço no governo. Enfim, ele foi útil à presidente enquanto manteve condição política de permanecer à frente da Casa Civil.
Palocci caiu porque o padrão ético da política brasileira vem melhorando paulatinamente. A sociedade não aceitou o silêncio do ministro a respeito do meteórico enriquecimento.
Claro que crises sempre têm uma natureza ruim, mas podem ser oportunidades para correções de rumo e para aprender a governar. O ano de 2003 foi duro para Luiz Inácio Lula da Silva. A crise do mensalão, em 2005, muito mais. No entanto, também foram momentos em que Lula aprendeu a governar melhor. E ele saiu da Presidência com popularidade recorde para presidentes desde a redemocratização de 1985.
Dilma, ministra fundamental para o êxito lulista, está aprendendo a ser presidente. Por mais experiência que um político tenha, esse trabalho é difícil pra chuchu. A cada dia, relatam governadores, senadores, deputados e integrantes do Executivo, ela aprende a ser mais presidencial e menos ministerial. Correndo risco de simplificar em excesso, a tradução é a seguinte: enxergar mais a floresta do que a árvore.
Foi uma boa decisão o recuo de Dilma ao prorrogar por mais três meses o prazo de pagamento de emendas parlamentares que fazem parte dos restos a pagar de 2009. Não valia a pena comprar uma crise com o Congresso Nacional neste momento. Ela tem sabido resistir a pressões. Não precisa dar provas de mandonismo explícito - este, sim, um aspecto de sua personalidade que incomoda auxiliares. Evidência disso: o discurso do ministro Nelson Jobim (Defesa) na homenagem do Congresso aos 80 anos de FHC.
Um bom presidente deve entender os limites do seu imenso poder, saber reavaliar decisões e admitir erros. Ideia fixa na política é um risco danado. Se ainda puder dar alguma leveza ao cargo, com certo charme no contato pessoal, melhor ainda. Mas, convenhamos, Presidência não é concurso de simpatia...
Aos seis meses de governo, Dilma está acertando os ponteiros. Na economia, a inflação deixou de ser uma grande ameaça. O crescimento econômico de 2011 deverá ser razoável para um ano de ajuste fiscal. O real valorizado em relação ao dólar se tornou um problema crônico, que tem entre as causas uma onda internacional e que precisa ser monitorado constantemente.
Na política, provavelmente o Palácio do Planalto bancará a aprovação de um projeto que acabará com o sigilo eterno de documentos ultrassecretos. Há um entendimento com a oposição para criar a Comissão da Verdade sobre a ditadura militar de 1964. Dilma tem buscado dialogar com o Senado para amenizar o tom ruralista que a Câmara deu ao novo Código Florestal. Com atraso, tenta tirar do papel os projetos para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Das promessas de campanha, colocou na praça os planos de combate à miséria e de ampliação do acesso à banda larga na internet com preço acessível aos mais pobres.
Há um rosário de problemas, como justificar uma ajuda de R$ 4 bilhões do BNDES à operação Pão de Açúcar-Carrefour. A presidente deve prestar contas à sociedade dessa benemerência com o dinheiro público. Não basta que as autoridades digam que o negócio é bom para o Brasil. A crise de Palocci ensinou a importância de dar satisfações ao distinto público.
No balanço dos seis meses, é honesto dizer que Dilma está presidindo bem.

Kennedy Alencar, colunista do jornal Folha de São Paulo - 01/07/2011