quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Deputado Sandro Alex é quarto melhor do país, segundo pesquisa



Por: Jornal da Manhã 
Com a nota 8,2 o deputado federal, Sandro Alex (PPS), alcança a quarta colocação no ranking dos melhores legisladores de 2012

Com a nota 8,2 o deputado federal, Sandro Alex (PPS), alcança a quarta colocação no ranking dos melhores legisladores de 2012. O levantamento foi realizado pela Revista Veja e pelo Núcleo de Estudos do Congresso, do Rio de Janeiro. “Acho que todos os parlamentares ficaram surpresos com a análise, porque é algo inovador”, considera Sandro Alex. Segundo ele, há uma avaliação anual dentro do próprio Congresso Nacional, mas que leva em conta mais o histórico e tempo de mandatos, do que a atuação, propriamente dita, ao contrário do que foi feito pela Veja. “Eles avaliaram os trabalhos dos políticos, neste ano, em prol de um país mais moderno e inovador”, explica o deputado paranaense.


Sandro Alex aparece também em primeiro no lugar entre os paranaenses. Segundo ele, é momento de agradecer a confiança depositada. “É sentimento de que estou correspondendo à expectativa. Hoje o parlamento está tão desacreditado. As pessoas pensam em até não votar. Isso vem para que elas percebam que seu voto é importante”.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Vereadores desagradam a maioria da população

A Gazeta do Povo de hoje divulgou, em matéria de capa, que 66% dos eleitores paranaenses estão insatisfeitos com seus representantes na câmara de vereadores.

Um dos grandes motivos da falta de credibilidade dos vereadores é a submissão ao prefeito, pois a maioria dos vereadores costuma se aliar ao prefeito para conseguir apoio para obras no seu bairro. Quando isso acontece, há vereadores que acabam fazendo corpo mole e não fiscalizam direito os gastos da prefeitura. Além disso, aprovam todas as leis do jeito que o prefeito quer.


Infelizmente, Wenceslau Braz faz parte deste triste senário onde o descaso com nossa população prejudica o desenvolvimento da cidade. Por ano, entre salários e diárias, nossos nobres vereadores embolsam mais de 350.000,00 do dinheiro público. O salário de cada um é 2.950,00 sendo que o presidente da câmara ganha 3.300,00 por mês.

A má atuação dos parlamentares deve ser encarada de frente pelos partidos políticos, já que a sociedade está paralisada por medo de perseguições e pelo próprio desgaste pessoal sofrido sem que se gere resultados práticos. Aliás, os partidos políticos também precisam assumir sua responsabilidade social, mas esse é um tema para um outro artigo.

sábado, 12 de novembro de 2011

RESISTÊNCIA ANTIRREPUBLICANA

Prestes a se comemorar o 122.º aniversário da República brasileira, são claras as dificuldades que o país enfrenta para combater práticas não condizentes com os princípios dessa forma de governo. Os membros da velha política estão sendo bem-sucedidos em reproduzir sua lógica patrimonialista – de apropriação de bens públicos em prol de interesses privados – e resistem bravamente à mudança. O resultado disso é que falta muito para serem corrigidas as distorções antirrepublicanas que assolam o país.
Os exemplos de violações dos princípios éticos de governo são diversos e fazem parte do cotidiano noticiário nacional. Em todas as esferas de governo, nos três poderes, prolifera-se o uso indiscriminado de cargos comissionados. Emendas parlamentares e cargos fazem parte de um balcão de negócios políticos, servindo explicitamente como moeda de troca para compra de apoio. Ministros e governadores pegam caronas em jatos de empresários, confundindo a função pública com interesses privados. Ministérios são aparelhados por legendas da base, que os tratam como propriedades partidárias. Denúncias de irregularidades fizeram até o momento cinco ministros serem demitidos em menos de um ano de gestão do governo federal. Juízes federais cogitam paralisar suas atividades e, assim, levar o país a uma estranha situação na qual se terá membros de um dos Poderes em greve.
Por república entende-se tradicionalmente o regime de governo no qual os cidadãos – que são considerados com iguais direitos e liberdades – elegem regularmente representantes para administrar, de modo responsável, os bens públicos em favor da coletividade. Como os governantes eleitos e seus auxiliares lidam com bens que não são deles, mas que pertencem a todos, é proibido usar os recursos públicos para atingir interesses pessoais. Da necessidade de se utilizar os públicos em favor da coletividade decorre uma série de princípios constitucionais que se costumou chamar de “republicanos”.
Neles estão incluídos: a impessoalidade (predominância do mérito sobre as relações pessoais, contratação por concurso, não contratação de parentes); publicidade ou transparência (prestação de contas de forma clara de todos os atos realizados); legalidade (só fazer o que a lei permite); moralidade (fazer o que é mais útil para o interesse público); eficiência (o uso dos recursos públicos precisam se empregados de forma eficiente). Sendo violados esses princípios, os gestores públicos deveriam receber punições, pois há a necessidade de serem responsabilizados por suas condutas.
Se esses princípios fossem seguidos, se a sociedade de iguais exercesse sua cidadania para que fossem efetivos na administração pública, e se o Judiciário punisse exemplarmente a alta cúpula de agentes públicos que os violassem, muitos dos escândalos de anos recentes teriam sido evitados. Atos Secretos no Senado, Farra das Passagens na Câmara dos Deputados e a denúncia dos Diários Secretos na Assembleia Legislativa do Paraná poderiam não ter existido.
O momento é de reflexão sobre as imperfeições da república brasileira. Mas é necessário lembrar também que os membros da velha política tem aversão ao fim dos privilégios e vão resistir o quanto puderem às mudanças. É necessário um despertar da sociedade e dos órgãos de controle administrativo e judicial para que o ideal republicano seja revitalizado. Só assim se produzirá uma sociedade de iguais.
http://ads.img.globo.com/RealMedia/ads/Creatives/default/empty.gifGazeta do Povo - Editorial 1 - publicado hoje

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Wenceslau tem jeito. É só deixar a democracia acontecer!

                    Uma economia mais dinâmica com preservação do meio ambiente só serão possíveis em Wenceslau Braz se transformarmos nossa realidade política. Melhorar os serviços públicos depende de participação popular através de lideranças de bairro. É preciso que nossos gestores públicos garantam condições básicas para que os moradores de todos os bairros possam se reunir com a finalidade de criarem soluções para os problemas por eles vivenciados. Não acredito que um grupo político que detém o poder num determinado período possa resolver muita coisa numa cidade do porte de Wenceslau, mas os moradores munidos de condições para se organizarem, inclusive como voluntários, com certeza sim.


Paulo Leonar

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Wenceslau não precisa de mais vereadores!

     Enquanto a população de diversas cidades do Brasil inteiro repudiam o aumento do número de vereadores, aqui em Wenceslau Braz, já foi aprovada a lei que autoriza o aumento de 9 para 11 vereadores a partir do próximo ano.
   
     Infelizmente, o vereador não tem condições de cumprir o seu papel constitucional, que é o de fiscalizar, por diversas razões. Começando pela exigência do próprio eleitor, que prefere um assistencialista do que um lutador por direitos e garantias para a população em geral. Portanto, dois novos vereadores não contribuirá com o desenvolvimento que tanto almejamos, pelo contrário, será mais um gasto desnecessário para nós pagarmos.
   
     Dito isto, entendo que não existe necessidade de se aumentar o número de vereadores em Wenceslau Braz.
   
     Ainda dá tempo de reverter isso, mas precisamos nos organizar para que haja mobilização. Mande e-mail para pauloleonar@hotmail.com constando seu telefone que entraremos em contato.

domingo, 23 de outubro de 2011

Sob pressão, Câmaras rejeitam novas vagas


     Abaixo-assinados, correntes na internet e outras formas de mobilização popular têm levado algumas cidades a rejeitar o aumento do número de vereadores, na contramão da tendência nacional de inchaço das Câmaras.
     Os municípios têm até a metade de 2012 para decidir se aumentam o número de vagas nos Legislativos, com base no crescimento da população e numa emenda constitucional aprovada em 2009.  
     A Confederação Nacional dos Municípios divulgou estudo em que constatou que a maioria das cidades ou já aumentou suas vagas ou tem projeto para isso.
     Mas identificou também uma minoria que rema na direção oposta.
     De quase 2.000 municípios que têm condição de ampliar seus Legislativos, metade já havia modificado a lei para ampliar as vagas.
     Na outra metade, 62% falam em uma alteração na Câmara até a data-limite de 30 de junho de 2012.
     Por outro lado, das 2.153 cidades que podem ampliar as Câmaras, ao menos 356 já definiram que não farão isso.
     A Folha ouviu 15 dessas cidades. Em cinco delas, a pressão popular já fez os vereadores desistirem do aumento.
     Em Franca (SP) e Maringá (PR), a população lotou o plenário das Câmaras contra o aumento das vagas --nos dois casos, de 15 para 23. Os parlamentares recuaram.
     "O aumento não representaria maior eficiência e geraria um gasto de R$ 5 milhões a mais", disse o presidente da Associação Comercial, Adilson Emir dos Santos.
     Em São José do Rio Preto (SP), pressionados também pela imprensa, os vereadores engavetaram o projeto, que previa 23 vagas (ante 17).
     Em Jaraguá do Sul (SC), o movimento começou com o empresariado, e aos poucos, associações de bairro e estudantes também aderiram.
     Outdoors foram espalhados pela cidade criticando o fato de os vereadores trabalharem só cinco horas semanais. Deu resultado, contou o presidente da associação empresarial, Durval Marcatto Júnior. "Constrangeu os vereadores", afirmou. Em julho, o aumento foi rejeitado.
     Em Novo Hamburgo (RS), a Câmara decidiu na semana passada continuar com 14 vereadores. Um abaixo-assinado obteve 8.000 adesões, e os eleitores lotaram a Casa. Vereadores disseram que mudaram de voto pela pressão.
     Já a Câmara de Presidente Prudente (SP) aprovou um aumento, mas menor: a pressão fez o Legislativo ampliar as vagas de 13 para 19, e não para 21, como tinha direito.
Há casos ainda de municípios que ainda não resolveran o impasse --como Santa Maria (RS) e Joinville (SC).

fonte: Folha de São Paulo de 23-10-2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Pesquisa não define eleição


Aí vão umas poucas linhas de quem já esteve à frente de dezenas de campanhas políticas municipais, estaduais e presidenciais no Brasil, e até fora daqui, sobre as análises apressadas dos resultados das últimas pesquisas sobre a sucessão nos municípios.
É sempre assim: faltando mais de um ano para a peleja, saem os primeiros relatórios dos grandes Institutos. Os resultados, é claro, refletem posições de certo privilégio dos nomes mais conhecidos. O eleitor, com pouco interesse pelo assunto, mas diante da abordagem firme — às vezes insistente —- do entrevistador faz um download forçado , desatualizado, da sua memória e descarrega suas preferências momentâneas.
Levam a melhor os nomes mais conhecidos. O "trade" (partidos, políticos, jornalistas) apressadamente destila e contabiliza aqueles números, praticamente antecipando resultados eleitorais que na sua maioria estão longe de ser confirmados.
Quem é do ramo sabe. Além de ser popular, o candidato majoritário, salvo exceções cada vez mais raras, tem, antes de mais nada, de conseguir compor uma estratégia política inteligente e uma firme coleção de apoios político-partidários. As regras do nosso jogo indicam isso com clareza indiscutível.
Os partidos podem não ser tão importantes para trazer os primeiros votos, mas são a parte mais visível do frondoso jabuticabal que faz das nossas eleições únicas no mundo com essas características. São as coligações as donas do apito e do campo. Elas formam o capital inicial necessário para o candidato ter acesso à mídia — tempo assegurado pela legislação — e agregam um exército de candidatos proporcionais que fortalecerá as bases do candidato majoritário.
As coligações também são fundamentais para obtenção do chamado "saneamento básico”, ou seja, recursos, dinheiro, para que o projeto tenha competitividade. Posso assegurar que um candidato, hoje, com impressionante popularidade morre de inanição na calçada se não conseguir fazer esse deverzinho de casa básico: ser apoiado por partidos e políticos que lhe garantam músculos para um enfrentamento vigoroso.
Mas gostaria de descer um pouco na análise da atitude de voto, tão longe do dia "D", tão distante da discussão mais travada que acontecerá nos dias que antecedem a eleição. Costumo dizer que o eleitor, tal como o consumidor, quer o que conhece e o que não conhece também. O desejo de voto neste momento é, por assim dizer, volátil, um site "em construção", se quisermos ser mais digitais.
Aí entra o Marketing, erros e acertos da estratégia, que vão mudando a intenção de voto. Há ainda expressivos percentuais de novos eleitores, que chegaram aos 16 anos, tiraram seus títulos e estão aptos para o primeiro voto. Estes noviços ainda estão mais sujeitos à influência da maré. Estudos qualitativos são, neste momento, mais indicados.
Mesmo assim, faço reservas. Pesquisas não podem ser interpretadas linearmente. Nem tudo é "batatinha, quando nasce, se esparrama pelo chão". Não podemos esquecer o contexto, a conjuntura, “the big Picture”, como dizem os americanos.
Engana-se quem acha que pesquisas definem as eleições. Senão nada mudaria. Nem precisava de eleição: bastava publicar resultados de pesquisas e estava tudo resolvido. Muitos cientistas políticos afirmam ser a eleição municipal a mais desgarrada dos grandes projetos políticos federais e estaduais. Seria como escolher um síndico para seu prédio. Nem tanto nem tão pouco.
Penso, as "Municipais" são as que mais possibilitam o surgimento de novos nomes. A renovação política é fertilmente irrigada pela chegada de novos, às vezes "inéditos" prefeitos. Mas raramente eles chegarão sem o suporte dos grandes partidos.
É cedo para se acolher como vencedores os primeiros nomes que surgem dos relatórios dos grandes Institutos. Não é hora da canjica. Canjica é em junho, depois do carnaval, do verão. Em junho fecham-se prazos, definem-se coligações, e a parte mais emocionante do embate inicia-se, com a mídia explícita, legítima, oficial. Melhores ou piores, são essas as nossas regras. Certamente ajudando a consolidar nosso país como uma das democracias mais notáveis do planeta.
Fernando Barros é presidente da Propeg Brasil, agência de propaganda e de marketing político

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Eleições Municipais de 2012


O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou nesta terça-feira (28) o calendário eleitoral para as eleições municipais de 2012. O plenário do tribunal definiu que o primeiro turno será realizado em 7 de outubro. Nos municípios onde a disputa chegar ao segundo turno, o novo pleito acontecerá no dia 28 do mesmo mês.
No ano que vem, candidatos disputam os cargos de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.
Os partidos que ainda estão em formação só poderão participar das eleições de 2012 se cumprirem todos os requisitos e obtiverem o registro no TSE um ano antes do pleito, ou seja, 7 de outubro de 2011. Os requisitos incluem, por exemplo, a coleta de quase 500 mil assinaturas --reconhecidas em cartório-- em pelo menos nove Estados brasileiros, e a publicação do estatuto da legenda no "Diário Oficial" da União.
Individualmente, todos os candidatos que desejam concorrer precisam regularizar sua filiação partidária até a mesma data, além de transferirem seu domicílio eleitoral para a circunscrição onde pretendem disputar o cargo.
A partir de 1º de janeiro de 2012, todos os órgãos de administração pública ficam proibidos de distribuir bens, valores ou benefícios de forma gratuita, e os institutos de pesquisa ficam obrigados a registrar seus levantamentos.

CANDIDATURAS
As convenções partidárias para definir candidatos serão realizadas entre 10 e 30 de junho de 2012. O registro dos candidatos lançados pelas legendas deverá ser feito até 5 de julho.
O Ministério Público e outras entidades, como os próprios partidos, têm o prazo de 18 de julho para impugnar o registro dos candidatos ao pleito.
A primeira prestação de contas parcial deve ser entregue à Justiça Eleitoral até 6 de agosto. Um mês depois, em 6 de setembro, termina o prazo para a segunda prestação de contas. A terceira e última prestação deve ser entregue até 6 de novembro. Os candidatos que participarem do segundo turno devem entregar um quarto do relatório até 27 de novembro.
Os relatórios devem detalhar todos os recursos recebidos para financiar a campanha.

PROPAGANDA
Os horários reservados no rádio e na TV para a propaganda eleitoral gratuita começam numa terça-feira, 21 de agosto de 2012. A propaganda será veiculada diariamente até 4 de outubro, três dias antes do pleito.
A partir dessa data também fica proibida a realização de debates no rádio e na TV e de reuniões públicas ou comícios. Em 5 de outubro, termina a divulgação de propaganda em jornais impressos e, dia 6, as propagandas presenciais, a distribuição de material gráfico e a promoção de carreatas.
Nos municípios onde houver necessidade de um segundo turno entre os dois candidatos ou candidatas mais votados para a prefeitura, a propaganda fica permitida entre 8 e 26 de outubro.

ELEITORES
Os eleitores que necessitarem alterar seu domicílio eleitoral ou requerer inscrição no sistema eleitoral têm até 9 de maio de 2012 para fazê-lo.
Quem tem necessidades especiais também deve pedir transferência para uma seção eleitoral especial até esse dia.
O eleitor que não comparecer às urnas no primeiro turno deverá justificar a ausência à Justiça até 6 de dezembro. Já quem deixou de votar durante o segundo turno precisa apresentar a justificativa até 27 de setembro.

Fonte: Folha de São Paulo publicada em 29/6/2011.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Falta de transparência facilita a corrupção


Para especialistas, o incentivo ao controle social do poder público poderia diminuir os escândalos no país
Publicado em 30/08/2011 | EUCLIDES LUCAS GARCIA


Nas últimas semanas, uma nova onda de denúncias de corrupção dominou a agenda política em Brasília e praticamente paralisou as grandes discussões sobre o desenvolvimento do país. Diante de mais uma reprise de escândalos e superfaturamentos que parece interminável, a Gazeta do Povo ouviu especialistas para tentar responder à seguinte pergunta: quais são as falhas do sistema político brasileiro que permitem aos corruptos continuarem agindo e se proliferando? Para eles, a falta de transparência e de incentivo ao controle social do poder público é que coloca o Brasil entre os países marcados pela corrupção.
De acordo com um estudo divulgado neste mês pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o custo da corrupção no Brasil está estimado entre R$ 50,8 bilhões e R$ 84,5 bilhões. Considerando somente a estimativa mais baixa, o dinheiro seria suficiente para construir 57,6 mil escolas de ensino fundamental ou 918 mil casas populares. Diante desse cenário, a ONG Transparência Internacional coloca o Brasil em 75.º lugar, entre 180 países, no Ranking de Percepção da Corrupção, com nota de 3,7 numa escala de zero a dez – nota abaixo de cinco indica grave problema de corrupção.
Universidades vão ajudar o TC a fiscalizar serviços públicos
Ações fazem parte do Plano Anual de Fiscalização Social – chamado de PAF Social – lançado oficialmente ontem pelo Tribunal de Contas (TC) em parceria com as universidades.
Impunidade e pouca indignação possibilitam aumento de casos
Outros fatores que favorecem a proliferação da corrupção no Brasil são a impunidade e a falta de indignação da sociedade com crimes do colarinho-branco, afirmam os especialistas.
Mais transparência
Para o secretário-geral da ONG Contas Abertas, o economista Gil Castello Branco, os órgãos de controle, ainda que atuem em conjunto, não têm como “enfrentar a corrupção na exata proporção em que ela acontece”, sobretudo pelo fato de o Brasil ser um país de dimensões continentais. Ele afirma que, se a sociedade civil organizada tivesse acesso a todas as informações do poder público, as chances de manter o devido controle sobre os gastos governamentais seriam muito maiores.
“É preciso escancarar a transparência. Um juiz norte-americano já defendia isso um século atrás: ‘a luz do sol é o melhor dos desinfetantes’”, argumenta. “Todos os países que conseguiram isso fizeram-no com o envolvimento pleno da sociedade. Se pensarmos que isso será atingido somente pelos órgãos de controle, vamos nos decepcionar. O principal órgão de controle é a própria sociedade.”
Articulação
O conselheiro Fernando Guimarães, presidente do Tribunal de Contas do Paraná (TC), reforça os argumentos de Gil Castello Branco e afirma que é dever dos órgãos de controle incentivar o controle social. “Temos de gerar mais ferramentas para que os cidadãos possam interagir conosco, dando a eles qualidade na informação e instrumentos de comunicação. Quando conseguirmos caminhar em função dessa articulação, a tendência é inibir cada vez mais atos de corrupção”, defende.
Guimarães afirma ainda que falta articulação e integração entre as redes de controle no país. “Às vezes, os diversos órgãos de controle trabalham sobre o mesmo fato, com os mesmos objetivos. Isso é desperdício de potenciais institucionais”, critica. “Enfim, falta minerar mais os dados que temos em mãos, formarmos núcleos de inteligência integrados entre os órgãos de controle e compartilharmos a atividade de controle com a sociedade.”
No Brasil, são órgãos de controle o Ministério Público, os tribunais de contas, a Controladoria-Geral da União (CGU), as ouvidorias e os conselhos nacionais de cada entidade.
Interatividade
O que seria preciso fazer para diminuir os casos de corrupção no Brasil?
As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor

sexta-feira, 26 de agosto de 2011



Acreditamos que Wenceslau Braz iniciará um processo de desenvolvimento a partir do fortalecimento das instituições da sociedade civil organizada, pois instituições enfraquecidas servem para manter a cidade estagnada e sem perspectivas de progresso para as próximas gerações. Para que todos trabalhem pelo desenvolvimento é preciso que haja mais diálogo e vontade política, acompanhados de boa dose de transparência e respeito com nossas cidadãs e cidadãos.

sábado, 20 de agosto de 2011

Vamos fazer nosso dever de casa. Vamos ser cidadãos!

Da janela da minha cidade, enxergo o mundo
Carlos Drummond de Andrade

Muitas pessoas dizem “Que diferença eu posso fazer, se o centro das decisões está tão longe de nós? Será que minhas opiniões e reivindicações serão ouvidas no Congresso, ou no Palácio do Planalto?” De fato, a grande imprensa privilegia as notícias nacionais e sobre economia, dando a impressão de que somente em Brasília são tomadas as decisões políticas. Mas aí reside um engano. Também na nossa cidade são tomadas decisões importantes. Não por acaso temos o conceito de “município”, que era o nome dado, na Roma antiga, às cidades que tinham o privilégio de se governarem a si próprias.
O artigo 29 da nossa Constituição prevê que cada município deve ser regido por sua própria Lei Orgânica, desde que respeite as Constituições Federal e Estadual.
Não poderia ser de outro jeito, pois é nos municípios que a gente mora, trabalha, estuda, educa os filhos, faz compras, se diverte, busca atendimento de saúde, coleta lixo e trata água e esgoto, precisa de iluminação pública, transporte, segurança e todos os serviços necessários à vida cotidiana. É o município que tem significado concreto no dia-a-dia das pessoas. Quando saímos de casa e chegamos à rua, sabemos que estamos em Minas e no Brasil, mas o que realmente sentimos é a cidade ou a comunidade rural onde moramos.
Por tudo isso, é na política de nosso município que começa a participação cidadã. Isso não quer dizer somente votar, mas se interessar, compreender e se posicionar no processo político local, inclusive participando de uma campanha eleitoral ou de comitê contra a corrupção eleitoral.
Pouco adianta reconhecer pela fotografia os políticos da nossa cidade, se não sabemos a quais grupos estão ligados, quais interesses representam ou quais têm sido suas lutas políticas.
Começando de perto de nossa casa, influenciaremos também na política nacional. Uma liderança municipal pode projetar-se politicamente em âmbito estadual e federal, lutando por nossos direitos e reivindicando em favor de nossas causas, de modo a integrar as lutas municipais às grandes causas nacionais. As lideranças locais que são fiéis às suas origens levam a voz de seus concidadãos até os mais distantes centros de poder. Por isso se diz, com toda razão que devemos “agir localmente e pensar globalmente”.

terça-feira, 16 de agosto de 2011


"Bom mesmo é ir a luta com determinação,
abraçar a vida e viver com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve,
e
A VIDA É MUITO
para ser insignificante".
(Chaplin)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Mais vereadores para quê?



Com base em emenda constitucional promulgada em 2009, nada menos que 119 cidades paranaenses passaram a ter o direito de aumentar o número de seus vereadores a partir de 2012. No Paraná, segundo o censo populacional e os dados da última eleição municipal, foram eleitos 3.698 vereadores, número que pode ser acrescido em outros 447 legisladores em razão do total de habitantes dos municípios que se enquadram na emenda já em vigor.


Diante da constatação de ter a medida amparo legal, cabe indagar sobre a sua relevância e oportunidade. Afinal de contas, não é de hoje que os legislativos municipais deixaram de lado a função precípua de fiscalizar para se tornar meros despachantes de luxo dos atos dos prefeitos. Enquanto mínguam projetos de políticas públicas de efetivo interesse para a sociedade, sobram iniciativas bajulatórias, tais como concessão de títulos de cidadania e nomes de rua, que se somam a ações de cunho meramente assistencialista. 


Se essa é - com honrosas exceções - a regra que ocorre no cotidiano das câmaras municipais, qual a justificativa palpável que justifique encher os plenários com mais vereadores?

O trem da alegria no qual pretendem embarcar mais 447 novos vereadores em 119 cidades paranaenses, entretanto, não prenuncia um percurso tranquilo no estado. Em alguns dos municípios abrangidos pela disposição constitucional, ou "PEC dos Vereadores" como ficou conhecida, a sociedade organizada já vem se mobilizando no sentido de não permitir que os cofres públicos passem a arcar com mais esse encargo. Assim é que, em Foz do Iguaçu, o aumento no número de cadeiras na Câmara foi retirado da pauta de votação diante da pressão da população que reuniu 12 mil assinaturas em um abaixo-assinado criticando a medida. Londrina e Maringá, dois dos mais importantes polos urbanos paranaenses, também se articulam através de suas lideranças para evitar que prospere a gastança com mais edis.

Na contramão da vontade popular, nas cidades de Ponta Grossa, Carambeí, Jaguariaíva, Cascavel, Guarapuava, São José dos Pinhais e Apucarana, o aumento lamentavelmente já foi aprovado em plenário; em Londrina, Maringá, Guarapuava, Telêmaco Borba, Jacarezinho e Mandaguari, a matéria ainda está em discussão, mas enfrentando forte reação contrária.

No caso de Apucarana, mesmo com a mudança aprovada, projeto em tramitação propõe a volta à situação anterior, enquanto em Nova Aurora a discussão caminha em sentido oposto, com a análise de uma proposta de redução na composição do Legislativo local.

Enquanto a polêmica sobre aumentar ou não o quadro de integrantes das câmaras municipais toma conta das discussões, uma questão a nosso ver mais importante acaba passando ao largo de qualquer análise. Referimo-nos especificamente à necessidade de o vereador passar a cumprir efetivamente com o seu papel constitucional. O que se constata hoje, via de regra, são legislativos municipais que garantem folgada maioria ao Executivo que, dessa forma, aprova o que quiser, enquanto a oposição, normalmente minoria, se resume a fazer muito barulho com pouco ou nenhum resultado prático. Exercer de forma responsável a fiscalização das prefeituras - represente a situação ou a oposição - e contribuir com a elaboração de leis de efetivo interesse social e; a verdadeira missão para o qual foi eleito o vereador. Para que isso ocorra, convenhamos, não é necessário aumentar a quantidade de cadeiras, basta simplesmente que cada um cumpra com a sua obrigação. Até porque colocar mais vereadores nas câmaras para em boa parte nominar ruas e homenagear personalidades com títulos não é exatamente o melhor motivo que justifique legislativos municipais com mais representantes.

Editorial Gazeta do Povo - 09/08/2011


segunda-feira, 25 de julho de 2011

A mudança deve partir de nós...


Vem aí a Semana Nacional pela Cidadania e Solidariedade


Será de 7 a 13 de agosto. Participe!




Em poucos dias, o Brasil vai comemorar, pela nona vez consecutiva, a Semana Nacional pela Cidadania e Solidariedade. Será de 7 a 13 de agosto próximos. A semana pretende dar foco e sustentabilidade às práticas sócio ambientas espontâneas e dispersas que mobilizam a sociedade a trabalhar pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e produzem avanços.


Também conhecidos como Metas do Milênio, os ODM devem ser alcançados até 2015 nos cerca de 190 países que o pactuaram em 2000, por meio de ações concretas dos governos e da sociedade.


Segundo o Secretário Nacional do Movimento Nós Podemos, Rodrigo da Rocha Loures, é importante que os núcleos do movimento Nós Podemos estaduais e municipais promovam atividades alusivas que possam levar à reflexão e a algum avanço pelos ODM em suas regiões.


No Paraná, por exemplo, estado que abriga o maior número de núcleos municipais, serão promovidas iniciativas como seminários, concursos culturais e campanhas de conscientização para mobilizar a população conhecer, compreender e fomentar ações que contribuam para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Estados como Pernambuco, Santa Catarina, Rondônia, Espírito Santo, Paraíba e São Paulo, além do Distrito Federal, também já têm diversos núcleos regionais/municipais e vêm fazendo bom trabalho pela disseminação dos Objetivos do Milênio pelo interior dos estados - municipalização.


Betinho e a luta contra a pobreza

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidos em 2000, foram relacionados, no Brasil, com o Movimento Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida, criado em 1992 pelo sociólogo Betinho. Foi então que o problema da fome e da miséria tornou-se mais visível para todos os brasileiros.


Em 9 de agosto de 2004, para lembrar a vida de lutas de Betinho e sua morte, foi criada a Semana Nacional pela Cidadania e Solidariedade. Foi também neste ato, em São Paulo, que nasceu o Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade.


Desde então, em agosto se comemora a Semana Nacional pela Cidadania e Solidariedade, com inúmeras atividades realizadas por organizações e pessoas inspiradas no incansável brasileiro humanista e também nos propósitos expressos pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

domingo, 3 de julho de 2011

Empresas ainda patinam na retenção da geração Y

BRUNA BORGES

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A geração Y começa a invadir as empresas. Mas as corporações ainda patinam quando a tarefa é reter esses profissionais de até 33 anos.
É o que afirmam especialistas da área de recursos humanos e gestores de dez grandes empresas no Brasil consultados pela Folha.


"A geração Y é mais imediatista do que as demais, e as empresas ainda estão aprendendo a segurar os melhores", diz Rodrigo Vianna, diretor da consultoria Hays.
Diferentemente das gerações anteriores, salários altos não bastam para reter jovens como Sandra Mancini, 25, que trocou de emprego em
janeiro deste ano.
Rodrigo Capote/Folhapress
Sandra Mancini, analista da Natura, mudou de emprego em busca de mais desafios
Sandra Mancini, analista da Natura, mudou de emprego em busca de mais desafios
A analista de informação deixou o trabalho de três anos em uma das maiores consultorias de gestão no mundo e migrou para a Natura, de higiene pessoal.

"A consultoria é excelente, oferecia salários e bônus bastante agressivos e eu estava envolvida com projetos por lá. Mas optei por buscar novos desafios e ambiente estimulante de trabalho", conta.

Mais do que remuneração diferenciada, jovens como ela precisam de desafios para sentirem-se parte da corporação, avaliam consultores.
"Ainda existe uma estrutura muito hierarquizada na progressão da carreira dentro das corporações, e o jovem profissional percebe que pode demorar muito para evoluir para cargos mais altos", explica Thaís Blanco, consultora da Aon Hewitt.

Desafios e 'feedback' viram diferenciais

Mesmo em um mercado dinâmico como o de tecnologia da informação, em que a rotatividade é elevada, e com diversas propostas de emprego, o analista Claudio Thalisson, 24, vai completar três anos na Coelce, distribuidora de energia no Ceará.

"Existem opções fora, mas aqui posso desenvolver projetos importantes", diz ele, que preparou um sistema on-line para a organização de relatórios internos -área considerada, até então, um problema para a organização.

O programa criado por Thalisson é parte de uma iniciativa da Coelce para reter jovens. Chamada Bolsa InovAções, ela é semelhante a uma Bolsa de Valores.

Os funcionários avaliam as propostas e dão pontos para o seu desenvolvimento. As ideias com ações mais altas são premiadas com celulares, computadores e viagens.

O desafio para os profissionais também pode vir na forma de promoção, como o que ocorreu com Gustavo Mariotto, 23. Estudante de sistemas de informação, aplicou conhecimentos como supervisor de marketing digital na Viajanet e, em um ano, foi promovido a gerente.
"Já recusei propostas porque aqui tenho um projeto ambicioso para tocar."

Feedback

É por essa gana de crescer profissionalmente que benefícios como "mentoring", em que profissionais mais experientes dão "feedback" aos novatos, são muitas vezes melhor avaliados do que financiamento de carros e computadores e parcerias para pacotes de viagem.

O laboratório Sabin, que tem 56% dos funcionários da geração Y, oferece todas essas opções e, segundo Juliana Ribeiro, gerente de gestão de pessoas, um dos melhores mecanismos de retenção é o "feedback" intensivo.

"A geração Y quer também um bom líder como modelo", diz Thaís Blanco, da Aon Hewitt. Segundo ela, empresas e funcionários têm aprendido juntos como tornar uma estrutura rígida em algo mais atrativo para os jovens.

Até gigantes como a Petrobras, que tem 11.043 pessoas com até 30 anos em seu quadro de funcionários, buscam formas de reter profissionais da geração Y. A empresa contratou consultoria para avaliar a satisfação profissional desse público e deverá utilizar os resultados na elaboração de políticas de recursos humanos.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Os seis meses de Dilma

No balanço de cem dias do governo Dilma, prevaleceu um julgamento mais positivo do que negativo - incluindo manifestações de surpresa daqueles que duvidavam da capacidade da candidata do PT na eleição presidencial de 2010.
Aos seis meses, apesar dos percalços, o saldo é favorável à primeira mulher presidente do Brasil.
O pior momento de sua administração aconteceu por razões sobre as quais a presidente tinha pouca responsabilidade. Foi um erro nomear Antonio Palocci Filho para a Casa Civil e concentrar tanto poder na pasta? Hoje parece fácil responder afirmativamente.
Palocci, porém, cumpriu um papel fundamental na campanha e na formação do governo. Estabeleceu os laços necessários com o grande capital que sempre namorou José Serra, o candidato do PSDB em 2010. O sorridente Palocci se desgastou ao represar a sede peemedebista por espaço no governo. Enfim, ele foi útil à presidente enquanto manteve condição política de permanecer à frente da Casa Civil.
Palocci caiu porque o padrão ético da política brasileira vem melhorando paulatinamente. A sociedade não aceitou o silêncio do ministro a respeito do meteórico enriquecimento.
Claro que crises sempre têm uma natureza ruim, mas podem ser oportunidades para correções de rumo e para aprender a governar. O ano de 2003 foi duro para Luiz Inácio Lula da Silva. A crise do mensalão, em 2005, muito mais. No entanto, também foram momentos em que Lula aprendeu a governar melhor. E ele saiu da Presidência com popularidade recorde para presidentes desde a redemocratização de 1985.
Dilma, ministra fundamental para o êxito lulista, está aprendendo a ser presidente. Por mais experiência que um político tenha, esse trabalho é difícil pra chuchu. A cada dia, relatam governadores, senadores, deputados e integrantes do Executivo, ela aprende a ser mais presidencial e menos ministerial. Correndo risco de simplificar em excesso, a tradução é a seguinte: enxergar mais a floresta do que a árvore.
Foi uma boa decisão o recuo de Dilma ao prorrogar por mais três meses o prazo de pagamento de emendas parlamentares que fazem parte dos restos a pagar de 2009. Não valia a pena comprar uma crise com o Congresso Nacional neste momento. Ela tem sabido resistir a pressões. Não precisa dar provas de mandonismo explícito - este, sim, um aspecto de sua personalidade que incomoda auxiliares. Evidência disso: o discurso do ministro Nelson Jobim (Defesa) na homenagem do Congresso aos 80 anos de FHC.
Um bom presidente deve entender os limites do seu imenso poder, saber reavaliar decisões e admitir erros. Ideia fixa na política é um risco danado. Se ainda puder dar alguma leveza ao cargo, com certo charme no contato pessoal, melhor ainda. Mas, convenhamos, Presidência não é concurso de simpatia...
Aos seis meses de governo, Dilma está acertando os ponteiros. Na economia, a inflação deixou de ser uma grande ameaça. O crescimento econômico de 2011 deverá ser razoável para um ano de ajuste fiscal. O real valorizado em relação ao dólar se tornou um problema crônico, que tem entre as causas uma onda internacional e que precisa ser monitorado constantemente.
Na política, provavelmente o Palácio do Planalto bancará a aprovação de um projeto que acabará com o sigilo eterno de documentos ultrassecretos. Há um entendimento com a oposição para criar a Comissão da Verdade sobre a ditadura militar de 1964. Dilma tem buscado dialogar com o Senado para amenizar o tom ruralista que a Câmara deu ao novo Código Florestal. Com atraso, tenta tirar do papel os projetos para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Das promessas de campanha, colocou na praça os planos de combate à miséria e de ampliação do acesso à banda larga na internet com preço acessível aos mais pobres.
Há um rosário de problemas, como justificar uma ajuda de R$ 4 bilhões do BNDES à operação Pão de Açúcar-Carrefour. A presidente deve prestar contas à sociedade dessa benemerência com o dinheiro público. Não basta que as autoridades digam que o negócio é bom para o Brasil. A crise de Palocci ensinou a importância de dar satisfações ao distinto público.
No balanço dos seis meses, é honesto dizer que Dilma está presidindo bem.

Kennedy Alencar, colunista do jornal Folha de São Paulo - 01/07/2011